domingo, 14 de fevereiro de 2010





Observação de si mesmo!

Em nossos assuntos passados, falamos da necessidade de eliminar os nossos defeitos psicológicos, que é importante estar atentos em nosso interior, hoje vamos compreender melhor essa questão de como fazer para conhecer esses defeitos.
Sabemos que jamais vamos eliminar um inimigo sem saber que ele existe, por isso para eliminá-lo, precisamos conhecê-lo, e o único método de conhecer esse inimigo dentro de nós é através da observação de si mesmo.
Esta observação de si mesmo, consiste em nos dividir em dois: Observado e Observador. O observado é o Ego ou conjunto de defeitos que existem dentro de nós, são o nosso verdadeiro inimigo, as trevas em nosso interior. O observador é a nossa essência, ou seja, os 3% de virtudes em nosso interior, a própria luz dentro de nós. O observado tem que ser sempre passivo e o observador ativo. Hoje o Ego é muito ativo dentro de nós e nossa essência é passiva. Para torná-la ativa, temos que fazer um super esforço, pois essa Auto-Observação está atrofiada. À medida que vamos pondo em prática essa técnica de nos dividir em dois, vamos desatrofiando essa auto-observação e ao desatrofiar essa auto-observação, vamos compreendendo melhor o mau que esses defeitos fazem dentro de nós, vamos então sentindo cada vez mais  necessidade de eliminá-los, de nos livrarmos totalmente desses inimigos.
O observador tem que estar atento sempre nos nossos 5 sentidos, principalmente, mente, coração e sexo.
Temos que estar sempre vigilantes, pois só assim vamos nos conhecendo e a medida que vamos nos conhecendo, vamos tendo mais força para trabalhar com a morte psicológica.
A vigilância sobre nós mesmos implica num estudo silencioso e sereno de todos nossos defeitos psicológicos, sejam eles; emoções, pensamentos, palavras, etc. E é na relação com nossos semelhantes que  os defeitos escondidos vão aflorando espontaneamente, por isso temos que viver no mundo físico, que é a grande escola, o grande ginásio psicológico. Muitas vezes queremos viver sozinhos, achando que vamos ter paz, tranqüilidade, porém isso não acontece, devido a milhares de defeitos que se manifestam dentro de nós, mesmo que estejamos completamente sozinhos. Precisamos dos nossos semelhantes para nos conhecer, pois de repente, é através daquela pessoa que me nega algo que tanto quero que eu vá descobrir o rancor, a ira, a vingança dentro de mim. Já no trabalho, outra pessoa me pode dizer que estou fazendo algo errado e que não vou ter aquela promoção, ganhar um cargo melhor, enquanto não melhorar isso ou aquilo, então vai descobrir o amor-
próprio, o orgulho dentro de mim, me sentir pra baixo, fracassada, etc.
Ex: Se estamos em cima de uma tábua e queremos colocá-la na parede, como vamos conseguir colocá-la se não saímos de cima. Lógico que tudo isso acontece normalmente em nossas vidas, pois sempre ficamos tão identificados com os acontecimentos que não percebemos essa 2a natureza dentro de nós, que é o Ego. Quando estamos com o orgulho ferido, acreditamos que somos apenas aquela pessoa que está magoada, quando estamos iradas, acreditamos que somos na verdade aquela pessoa irada e assim nunca nos conhecemos, por isso é tão importante essa separação, para que possamos nos ver frente a frente e descobrirmos realmente o que somos.
Podemos dizer o quanto é diferente observar de conhecer (passivo), pois geralmente sabemos que somos orgulhosos, invejosos, preguiçosos,
irados, mas sem auto-observação jamais conhecemos esse orgulho, essa
inveja, essa preguiça, essa ira dentro de nós, motivos estes que não sabemos, nem tão pouco fazemos esforço para mudar o nosso jeito de ser. È importante sabermos que na auto-observação, no momento que aflora um defeito, compreendemos instantaneamente o mau que o defeito nos faz e então conseguimos pedir a morte dele. Mas existe a observação mecânica, que é um defeito observando outro defeito e nesses momentos ao invés de pedir a morte, ficamos conversando, tagarelando e daí surge outro defeito e continuamos conversando, sabemos que é um defeito feio, mas criamos uma convivência com ele. Existe também a repressão do ego, vemos um defeito e
nos assustamos, por ex: estamos pensando em algo proibido, algo pecaminoso, e ao invés de pedir a morte, ficamos repetindo para nós mesmos que não queremos pensar naquilo, que é horrível, e fica tentando esconder até para si mesmo que existe tal defeito. Ex: Depois do almoço costumava deitar para tirar uma soneca, então tive informação que o sono após o almoço não é bom, então passo a querer controlar isso agora, então almoço e me dar àquela sonolência, aí fico falando para mim mesma, "não vou dormir que faz mal", vou fazer isso, isso, isso e fico ali fazendo outras coisas morrendo de vontade de deitar, mas não deito, porém sequer lembro-me de pedir a morte, pois estou apenas reprimindo aquele defeito que estar querendo me dominar, ou então vem a sonolência e como não estou em auto-observação, estou apenas procurando não deixar a preguiça me dominar, não pratico
a morte, então quando menos percebo, estou lá deitada no sofá dormindo. Já com a auto-observação, consigo fazer a morte do eu, e quanto mais me esforço para eliminar aquele defeito, menos domínio ele vai ter sobre mim, reflito: poxa, isso é a preguiça dentro de mim, nossa como ela é terrível, daí surge um arrependimento lá no fundo, então suplicamos a morte, daí vamos acabar fazendo o que necessitamos com vontade sem reprimir e aquela coisa não está mais nos dominando, tão pouco se deixa levar pelo defeito.
Para por esta auto-observação sempre em prática é preciso estar em recordação de si a todo instante.
Remorso # arrependimento, às vezes fazemos algo errado e nos sentimos mal, aí ficamos lamentando, querendo um buraco para sumir e não fazer mais aquilo, isto é remorso. Já o arrependimento surge e ao invés de lamentar, suplicamos com o coração para que seja eliminado aquilo que cometeu o erro.
Um segundo de auto-observação pode nos levar a uma verdadeira mudança em nossa vida, mudar o nosso destino.
Obstáculos para auto-observação: Mitomania é o delírio de grandeza. Egolatria é a crença num Eu permanente.
Paranóia é auto-suficiência, presunção.

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